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Custos e Gestão

Quanto custa manter um motoboy CLT em 2026?

Equipe HUB · 20 de agosto de 2026 · 7 min de leitura

Resumo rápido

  • O salário é a menor parte da conta. Encargos, 13º, férias e periculosidade somam bem mais do que o valor que aparece na carteira.
  • Motociclista profissional tem direito a adicional de periculosidade de 30% sobre o salário base, previsto na CLT desde 2014.
  • Somando tudo, manter um motoboy fixo costuma custar entre R$3.000 e R$4.500 por mês, mesmo em semanas de movimento fraco.
  • O problema não é o valor em si: é ele ser fixo enquanto o seu volume de entregas não é.

Índice

  1. 01O salário é o ponto de partida, não o custo
  2. 02As linhas que ninguém lembra na hora da proposta
  3. 03Como fica a soma
  4. 04O problema não é o valor. É a rigidez.
  5. 05Como usar essa conta na prática
  6. 06Em resumo

Se você já pensou em contratar um motoboy fixo, provavelmente fez a conta pelo salário. É o número que aparece na proposta, o que o candidato pergunta e o que entra na conversa com o contador. Só que ele é, de longe, a menor parte do que sai do caixa todo mês.

Este artigo abre a conta inteira. Sem estimativas mágicas e sem promessas: o objetivo é que você saiba exatamente quais linhas existem, para decidir com informação em vez de intuição.

O salário é o ponto de partida, não o custo

O salário base de um entregador varia por região e, principalmente, pela convenção coletiva do sindicato da sua categoria. Não existe um número nacional, e desconfie de quem te der um.

O que existe, e vale para todo mundo, é a estrutura de custos que se monta em cima desse salário. Ela é previsível, definida em lei, e é onde a conta cresce.

As linhas que ninguém lembra na hora da proposta

Adicional de periculosidade: 30%

Esta é a linha que mais surpreende quem está fazendo a conta pela primeira vez.

Desde a Lei 12.997/2014, que acrescentou o parágrafo 4º ao artigo 193 da CLT, a atividade de trabalhador em motocicleta é classificada como perigosa. Isso garante um adicional de 30% sobre o salário base.

Não é liberalidade, não é benefício e não pode ser negociado individualmente para menos. Se a função envolve conduzir moto no trabalho, o adicional é devido.

Encargos patronais

Sobre a remuneração incidem as contribuições que a empresa paga, não o funcionário:

  • INSS patronal, na alíquota aplicável ao seu enquadramento
  • FGTS, com depósito mensal de 8% da remuneração
  • RAT/SAT, que varia conforme o grau de risco da atividade
  • Contribuições a terceiros, o chamado Sistema S, conforme o enquadramento

Empresas no Simples Nacional têm tratamento diferente de empresas no Lucro Presumido. Vale confirmar com o seu contador qual regime se aplica, porque isso muda a conta.

Décimo terceiro e férias

Estes dois não são despesas anuais: são despesas mensais que você paga uma vez por ano.

  • O 13º salário equivale a um salário adicional, ou seja, cerca de 1/12 a mais por mês
  • As férias somam mais 1/12, acrescidas do terço constitucional

Ou seja, provisionar corretamente significa reservar todo mês, mesmo que o desembolso aconteça depois.

Os custos que não são folha

  • Combustível, que sobe e desce sem avisar
  • Manutenção da moto, se o veículo for da empresa
  • Equipamento: baú, capacete, capa de chuva, uniforme
  • Seguro e eventuais multas
  • Vale-transporte e vale-refeição, conforme a convenção da categoria

Como fica a soma

Juntando folha, encargos, provisões e custos operacionais, manter um motoboy fixo costuma ficar entre R$3.000 e R$4.500 por mês.

BlocoO que entra
RemuneraçãoSalário base + adicional de periculosidade (30%)
Encargos patronaisINSS, FGTS, RAT/SAT, terceiros
Provisões13º salário e férias + 1/3
OperacionalCombustível, manutenção, equipamento, seguro
BenefíciosVale-transporte e refeição, conforme convenção

A faixa é larga de propósito. Um entregador em cidade pequena com moto própria e outro em capital com veículo da empresa não custam a mesma coisa. Use a tabela como mapa das linhas que você precisa preencher, não como um orçamento pronto.

O problema não é o valor. É a rigidez.

Aqui está o ponto que a planilha não mostra.

Suponha que a conta feche em R$3.600 por mês. Esse número não muda se a semana for fraca. Não muda no feriado em que ninguém pediu nada. Não muda quando o entregador tira férias e você precisa de alguém para cobrir. E ele também não te ajuda no sábado à noite, quando chegam pedidos suficientes para dois motoboys e você tem um.

O custo é fixo. O volume de entregas não é.

É por isso que muita operação com demanda irregular começa a olhar para modelos onde se paga por entrega realizada. Não porque o custo por entrega seja necessariamente menor em dia cheio, mas porque não existe custo em dia vazio.

Se você quer entender melhor esse modelo, escrevemos sobre o que é logística sob demanda. E se a sua dúvida é mais prática, o artigo sobre entrega própria ou terceirizada traz um checklist de decisão.

Como usar essa conta na prática

Antes de decidir, levante três números da sua operação:

  1. Quantas entregas você faz por mês, separando dias fortes de dias fracos
  2. Qual a sua variação entre a melhor e a pior semana do mês
  3. Quantas horas por dia o entregador ficaria efetivamente rodando

Se a resposta do item 3 for "boa parte do expediente, todos os dias", o modelo fixo pode fazer sentido. Se for "algumas horas nos picos", o custo por hora ociosa provavelmente está comendo a sua margem sem aparecer em lugar nenhum.

Em resumo

Contratar CLT não é errado. Para operações com volume alto e constante, é organizado e dá previsibilidade.

O erro é fazer a conta pelo salário e descobrir o resto depois. Periculosidade, encargos, provisões e custo operacional transformam uma proposta que parecia caber no orçamento em uma despesa fixa bem maior.

Faça a conta inteira antes. Se ela fechar, contrate com tranquilidade. Se não fechar, saiba que existe alternativa.

A HUB Fluxion trabalha com entregas sob demanda, sem mensalidade e sem custo fixo: você paga pelas entregas que realmente acontecem. Se quiser conversar sobre a sua operação, fale com a gente. Não custa nada descobrir qual modelo faz mais sentido para o seu volume.

Fontes

  • CLT — Artigo 193 (atividades perigosas), Planalto
  • Lei 12.997/2014 — periculosidade para motociclistas
  • FGTS — informações ao empregador, gov.br

Perguntas frequentes

Motoboy tem direito a adicional de periculosidade?

Sim. A Lei 12.997/2014 acrescentou o parágrafo 4º ao artigo 193 da CLT e classificou como perigosa a atividade do trabalhador em motocicleta. O adicional é de 30% sobre o salário base, sem incidência de gratificações, prêmios ou participação nos lucros. Ele não é opcional nem negociável por acordo individual.

Contratar como PJ sai mais barato?

Na planilha, sim. Na prática, depende de a relação ser realmente de prestação de serviço, com autonomia de horário e ausência de subordinação. Quando o entregador cumpre escala fixa, usa uniforme e responde a um supervisor, existe risco de reconhecimento de vínculo, e o passivo trabalhista costuma superar a economia. Vale conversar com o seu contador antes.

E se o volume de entregas variar muito ao longo do mês?

Esse é o ponto cego do modelo fixo. O custo do motoboy contratado é o mesmo na segunda-feira parada e no sábado de pico. Em operações com demanda irregular, o que costuma pesar não é o custo por entrega nos dias cheios, e sim o custo por hora ociosa nos dias vazios.

Quer entregas sem custo fixo?

A HUB Fluxion conecta a sua empresa a entregadores parceiros. Você paga por entrega realizada, sem mensalidade e sem motoboy parado.

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